segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Não sou da Cosa Nostra"

Greca nega envolvimento com máfia do bingo, Requião tenta
intimidá-lo e ACM cobra respeito
Durante as quase quatro horas de depoimento ao Senado, o ministro do Esporte e do Turismo, Rafael Greca, defendeu-se das denúncias de irregularidades na concessão de bingos, argumentando desconhecer as medidas tomadas pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto (Idesp) por ser um órgão autônomo, ao mesmo tempo em que atribuiu a seus adversários políticos no Paraná a tentativa de extrair dividendos políticos da situação.
"A oposição no Paraná quer carimbar uma CPI na minha testa; os senadores querem me transformar de ministro da alegria, como já fui chamado, em um triste Hildebrando esquartejador".
Bem mais contido do que habitualmente, o ministro Rafael Greca pouco gesticulou no tempo em que ocupou a tribuna do Senado. Mas não deixou de fazer citações da história antiga nem de invocar a novela das 8 da TV Globo, Terra Nostra, em resposta ao seu principal adversário, Roberto Requião (PMDB-PR) que denunciou a existência de um braço na máfia italiana instalada no Brasil, explorando os bingos. "Eu não sou da Cosa Nostra, sou da Terra Nostra", respondeu.
Foi neste embate com o senador Requião que Greca ganhou força para responder a todas as perguntas dos senadores. O mais temido dos senadores, pela língua ferina e o discurso ácido, Requião chegou ao Senado com uma fita nas mãos, dizendo tratar-se de denúncia envolvendo a vida pessoal do ministro. O gesto de Requião foi entendido como uma tentativa de intimidar o ministro.
"Máfia italiana, narcotráfico, lavagem de dinheiro; esse não sou eu, esse é o opositor que o senhor adoraria ter, mas isso eu vou responder na Justiça e nas urnas no Paraná", disse o ministro, tentando identificar a ação de Requião contra ele com uma disputa política estadual. "O senhor vai responder aqui e agora", retrucou Requião, que foi interrompido pelo presidente da sessão, senador Antonio Carlos Magalhães, que pediu respeito e invocou o regimento interno que não permite apartes sem a concessão da Mesa.
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), ao questionar o ministro, acusou-o de omissão no comando do Ministério do Esporte, pelo fato de o ministro ter alegado desconhecer as providências tomadas no âmbito do Indesp. Ele disse que a portaria de número 23, que tornou mais liberal a concessão de bingos, foi publicada pelo Indesp, por determinação do antigo presidente, Manoel Tubino, sem seu conhecimento e sem análise da Consultoria Jurídica do Ministério. Ele pediu explicações, mas Tubino publicou outra, de número 37, nos mesmos termos. Foi quando, então, decidiu demitir o auxiliar.
Ao final da sessão, os senadores do PFL avaliavam que havia sido positiva a explanação de Rafael Greca ao Senado. O senador Jorge Bornhausen, o último a interpelá-lo, tentou desqualificar a denúncia contra Greca, lembrando o fato de ela ter sido feita por meio de carta anônima referendada por um adversário - o senador Requião.
Cristiana Lôbo
Repórter do Jornal de Brasília

Nenhum comentário: